Os Quatro "J"s
Trata-se de uma pérola da MPB que foi gravada nos anos 60 pelo Gilberto Gil, acompanhado pelos Mutantes e apresentada em um dos grandes Festivais da Canção.
A música narra a história dos amigos José (que trabalhava na feira) e João (que trabalhava na construção). Nem belo domingo, José foi ao parque e foi que ele viu sua amada Juliana na roda-gigante com João. De repente, tudo girou e José, tomado pelo ciúme, esfaqueou Juliana e João.
Meio triste, né?
Bom, mas vou recontar essa história.
José é um amigo dos tempos de escola de Juliana (essa a gente finge que sou eu, ok?). Ela ficou com ele algumas vezes na época, mas confessa que, até hoje, sente um certo tesão quando o vê, pois sabe da química que bate entre os dois.
Mas Juliana nunca se permitiu (e nem pretende) deixar que a relação com José passe disso, pois ela sabe que as brincadeiras dele, em muitas das vezes, são de extremo mau gosto. Digamos que José tem um lado muito podre.
Então, Juliana prefere ir ao parque com João (preciso explicar a analogia?). Ele, gentilmente, dá uma rosa e um sorvete pra ela - o malandro sabe como conquistá-la.
Porém, infelizmente, João vê Juliana quase como ela vê José. Ou seja, João não se permite ir além do parque. Mas não por ela ter um lado podre! Longe disso! Na verdade, o problema consiste na existência de um quarto “J” que, de tão insosso e insignificante, não é citado na canção. É o “J” de Jaca, a namorada de João.
Portanto, por mais que João goste de Juliana e saiba de seu valor, ele acha INJUSTO ter que se decidir entre as duas e, por isso, não deixa as rosas e os sorvetes oferecidos a Juliana se tornarem constantes.
Porém, girou a roda-gigante e a moça, decepcionada com a covardia de João, viu nele, seu sonho, uma ilusão.
O sorvete gelou o coração dela que, então, pediu para José (que já tinha um passado sujo mesmo) matar João. Ele, não podendo negar um pedido de Juliana, o fez.
José fugiu e permanecerá escondido até a segunda ordem.
Juliana, infelizmente, também acabou se ferindo com a faca de José, mas está fora de perigo. Ela é forte e vai se recuperar do corte que fora feito em seu peito, um dia.
Mas João, não.
A facada foi certeira e, como seu "J" é de João e não de Jesus, ele provavelmente não ressuscitará. E agora resta à Jaca, com seu não lembrado “J”, acompanhar o corpo no funeral.
E, por fim:
“Amanhã não tem feira, ê José / Não tem mais construção, ê João
Não tem mais brincadeira, ê José / Não tem mais confusão, ê João.”
