quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cartas que não mandamos

"Escrevo-te estas mal traçadas linhas, meu amor..."

A modernidade, sem dúvida, possui muitas vantagens - isso é inegável. Porém, ela também nos fez perder hábitos que, outrora, eram bem interessantes. Um deles é o costume de se escrever cartas às pessoas queridas.

Quanto sentimento foi perdido por trás da frieza de uma tela de computador?
Hoje mandamos e-mail, deixamos scrap, usamos Time News Roman ou qualquer uma dessas fontes impessoais. Não existe mais o cheiro do perfume borrifado na carta, a letrinha borrada pela tinta da caneta ou uma eventual marca de lágrima caída sobre o papel. A essência de uma carta morreu. Restou o conteúdo, pois, as palavras, graças a Deus, ainda permanecem.

Sou boa em cartas, ainda que virtuais. Escrevo muitas para extravasar meus pensamentos, mas quase nunca as mando. Inclusive, esses dias, depois do momento lindo do outro sábado e diante da agonizante expectativa quanto ao desenrolar dos próximos capítulos de minha história, escrevi uma carta para o João, mas não mandei, como de costume. E nem insistam, pois só vou mandar, caso eu sinta ser muito necessária tal confissão.

Mas, como sou legal e não tenho muito mais o que postar mesmo, resolvi compartilhar a carta que não mandei com vocês. Não me achem ridícula. Aliás, se quiserem, podem achar! Se o Fernando Pessoa disse que todas as cartas de amor são ridículas, por que a minha haveria de não ser? Enfim... chega de blábláblá-whiskas sachê.
Aí vai a carta:

João.
Até quando você vai continuar fugindo de mim e de você mesmo?
Não consigo me convencer de que, pra você, o que vivemos naquele dia foi uma coisa qualquer. Não consigo me convencer, até mesmo, que eu seja uma pessoa qualquer em sua vida. Não encontro explicações para o contato que temos até hoje, mesmo depois das tantas vezes que dissemos “não” ou que anunciamos nosso fim.
Por que sempre voltamos? Por que essa ligação que nunca termina?
Naquele sábado, ao meu ver, fomos muito mais do que dois corpos.

Mas, você já tentou me convencer que nossa relação não era nada além de carnal e eu, por vezes, acreditei que você realmente a enxergava assim. Hoje, não creio mais, sinceramente. Entretanto, na época em que acreditava, eu quis mentir pra mim mesma com o intuito de tentar me convencer de que o que tínhamos não passava mesmo de uma brincadeira. Para isso, cometi atitudes e disse coisas que não eram legítimas. Era tudo uma grande mentira. Não menti por mal, entenda. Foi um desespero circunstancial.

Porém, não me preocupo mais em me enganar. Estou aqui, entregando os pontos, confessando que gosto de você e pedindo apenas a chance de pôr isso em prática.
Deixa isso acontecer, querido. Não tenha medo de mim; de gostar de mim.
Não lhe quero mal e nem fazê-lo perder tempo. Quero que você realize seus sonhos, tenha seus filhos e seu labrador. Não estou brincando com você. Nunca estive.

Peço também, para que você não viva os meus medos. Tive um sonho essa noite, no qual eu encarava uma adversidade enorme e, depois que eu pedia a Deus para me dar forças, tal problema tinha se tornado muito menor. Assim acontece com tudo, em minha vida. Eu sempre sobrevivo. Não tenha medo por mim. E saiba que se eu tiver a verdadeira chance de gostar de você, já vou me dar por satisfeita, mesmo se não dermos certo. Sinto que também preciso disso - ou para me apegar de vez ou para, então, conseguir me libertar, sem achar que te desperdicei.

Entendo que você tenha algo importante a perder e, portanto, não peço para que você tome nenhuma atitude quanto a isso, agora. Mas, será que você tem realmente certeza da solidez disso tudo? Será que a sua procura pela felicidade nesse relacionamento será recompensada, no final? Por que tantas incertezas com relação a esse caminho, querido? Só peço para que você pense nessas questões e não desperdice a possibilidade de ser feliz seguindo por um outro rumo. Siga a sua intuição e desbrave um pouco mais essa outra possibilidade. Não precisa escolhê-la de antemão, apenas peço que a conheça melhor para, então, decidir se quer passar a caminhar por ela.

Estou ciente do risco que corro ao escrevê-lo tais palavras, mas saiba que eu estou muito cansada. Já não me animo mais em jogar, criar estratégias, esperar a hora de você aparecer, elaborar minhas falas e quase nunca dizê-las.
Então, querido, apenas te peço isso:
deixe-me gostar de você, que o futuro a Deus pertence.

Beijos.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O colinho do João

"Se isso não é amor, o que mais pode ser?"


Da última vez que dediquei um post inteiro ao João, percebi pelos comentários, que muitas pessoas não sabiam de quem se tratava, por serem leitores recentes do blog.
Então, farei uma breve apresentação: João é o meu cafa-karma, embora ultimamente ele tenha se saído mais karma do que cafa.
Eu sou apaixonada por ele há quase 2 anos (desde a primeira vez que fiquei com ele); nós nos damos super bem e temos uma química absurda. Porém, nossa relação é marcada por várias idas e vindas principalmente porque o cidadão tem namorada (carinhosamente apelidada de Jaca) há uns 2 anos também.

Sei que eu ou ele podemos ser alvos de críticas por estarmos nesse barco e eu posso estar saindo como ingênua - aquele velho papo de que ele nunca vai largar da namorada por minha causa. Já de saco cheio dessa ladainha! Porque ela pode até proceder, mas acho que cada história é uma história e a minha com ele é muito mais complicada do que parece. Portanto, só peço que vocês, antes de nos julgarem, pensem que há situações que, muitas vezes, impedem a concretização de um romance. Nem sempre nos basta só querer. Às vezes é preciso reflexão, auto-conhecimento e, principalmente, compreender a necessidade do outro para, então, decidir se você está disposto a supri-la.

Eu e ele terminamos nosso caso em janeiro desse ano e só voltamos a nos encontrar em agosto, num curso que estamos fazendo. Mas, por lá, sempre nos tratamos como amigos somente. Eu não dava em cima dele e nem ele dava em cima de mim, como facilmente o faria nos tempos de cafajestagem.
Mas, numa noite de domingo, em meio a um divertido papo no msn, ele disse que eu era uma pessoa ruim:
- Por que é que eu sou ruim, João?
- Você sabe porquê...

- Não, não sei! O que eu fiz pra ser ruim?
- No fundo, no fundo, você sabe o que você faz comigo...
- Diz!

- Ah! Não é nada específico... você só nasceu.

No desenrolar da conversa, percebi que ele não queria assumir com todas as letras que eu era ruim por fazê-lo sentir ou pensar em coisas que ele supostamente não deveria, por causa da namorada. Porém, o que faltou ser dito é que, desde quando o encontrei de novo, só penso nele.
Mas por que essa vontade de estar junto ainda persiste, se resolvemos tentar estabilizar nossa vida amorosa (aliás, foi por isso que terminamos!) e não queremos mais casos sem futuro, como o que tínhamos?
Não sei. Mas o fato é que essa conversa mexeu comigo.

Quando transei com o Joaquim, sexta passada, eu me senti terrivelmente mal no dia seguinte. Tudo o que eu queria, naquele momento de ressaca moral, era só o colinho do João, porém não tive coragem de pedir. Mas resolvi dar o braço a torcer e mandar um e-mail dizendo que sentia falta dele.

Então, às 21:30h de sábado, João apareceu no msn. No meio da conversa, eu acabei perguntando se ele não queria ir me visitar mais tarde, já que a menina com quem divido meu apartamento não estaria por lá naquela noite. Ele topou e eu não conseguia parar de tremer de nervosismo e alegria. O problema era que nem eu estava no apartamento! Eu estava na casa do meu irmão, do outro lado da cidade e tinha que estar em casa em aproximadamente uma hora.

Vesti qualquer roupa e, no meio da chuva, peguei um taxi até a estação de metrô mais próxima e fui pra casa, sozinha, àquela hora da noite. Quando cheguei no apartamento, só tive tempo de tomar um banho rápido e dar um jeito na arrumação que estava precária.
Pouco depois, João estava me ligando, já na calçada do meu prédio.
Fui buscá-lo. Ainda choviscava, quando nos encontramos em meio à escuridão e ao silêncio da noite. Nos olhamos, meio sem saber o que fazer. Nos abraçamos e, enfim, depois de tanto tempo, nos beijamos.

Daí, ele subiu. Ficamos horas no sofá, agarrados, conversando displicentemente. Deixei apenas a luz do abajour ligada e começamos a nos beijar. Foram beijos lentos, suaves, puros... Por momentos, apenas encostávamos os lábios e ficávamos nos respirando, nos sentindo. Foram os beijos mais lindos da minha vida.

Depois fomos para o quarto. Ficamos na janela admirando a vista e, em seguida, deitamos na cama. Então, tive o colinho do João de volta. Nem sequer transamos. Não que eu tenha negado; apenas não rolou. A prioridade da noite foi o cuidado, o afeto e, por que não, o amor?

O dia já estava claro quando finalmente dormimos. Ou melhor, ele dormiu. Eu fiquei olhando ele dormir. Somente depois de cobri-lo para protegê-lo do frio da manhã, me aninhei nos braços dele e cochilei. Mas não sem antes ter pedido a Deus para que aquele fosse um recomeço que desencadeie num novo e maravilhoso fim.

Sugestão: Leiam (ou releiam) este post do dia 11 de agosto, para que vocês entendam melhor o amadurecimento que sofri para chegar até aqui.

sábado, 4 de outubro de 2008

Sexo Casual II - A Missão

"E tudo o que eu posso te dar é solidão com vista pro mar..."


Minha vida amorosa nas últimas semanas têm sido bastante agitada. Primeiramente, tive um papo com João e parece que ele está meio balançado com esses nossos encontros amistosos semanais. Mas agora somos apenas bons amigos! Vocês acreditam? (eu não!).
E, por incrível que pareça, vejo que ele mudou muito e tenho quase certeza que, quando ele me disse isso, não se tratava de um mero papo de cafa. Mas, numa outra ocasião, explico melhor essa história.


Depois, foi o gigante lindão do post passado me ligando pra marcar um território, mas também não rolou nada ainda. E, como se já não bastasse, um português gato e rico que fiquei em maio desse ano estava prometendo voltar ao Brasil (e me ver) logo.
Esse cara foi quem me inspirou a escrever o polêmico post sobre sexo casual, na época.
E ele realmente voltou, como o prometido, disposto a terminar o que começamos, então.


Ontem, Joaquim desembarcou no Rio, pronto para ficar até domingo e depois seguir para um resort em Angra. Assim que chegou aqui, me ligou. Então, me convidou para ir jantar na churrascaria mais chique da cidade (não sou muito afeita à churrascarias, mas essa daí é exceção!) junto aos amigos dele, que também vieram ao Brasil.

Fui eu lá, toda bonitinha, pagando de namoradinha do Joaquim. Os amigos dele me adoraram, afinal, me comportei como uma mocinha e, metida à rica como sei ser, agi como se aquela churrascaria fosse o local de meus almoços diários.

O papo foi ótimo, nos divertimos bastante. Joaquim estava sendo um amor e eu, dessa vez, acabei cedendo e indo pro hotel com ele. Achei que não podia mais deixá-lo passar, pois quando é que eu iria vê-lo de novo?

Chegamos lá naquele hotel 5 estrelas na Av. Atlântica. A suíte ficava exatamente de frente para o mar; a noite estava fresca e as luzes da orla de Copacabana estavam lindas como de costume. Aí começamos a nos beijar, a nos amassar e o resto vocês já sabem, não é mesmo?
Pouparei-os dos detalhes mais sórdidos. O que importa é que eu, finalmente, me permiti fazer o tal do sexo casual.

Só lhes digo que foi exatamente como eu pensei que seria. Ou seja, péssimo. Nem pelo sexo, em si, mas por aquela velha situação que eu temia: a de não saber como reagir depois.
Eu não fiquei muito à vontade o tempo inteiro, ele também não foi dos caras mais atenciosos... E, ao perceber isso, eu inevitavelmente senti muitas saudades do João! Transar com uma pessoa e lembrar de outra, minha gente, foi uma das piores sensações que já experimentei.

Tudo soa robótico. Tudo o que você faz, faz porque "tem que fazer", porque faz parte do pacote sexo. Sendo que, nesse caso, apesar dele ser um cara fofo e super bacana, não rolou a parte do olho no olho, do carinho, do ouvir o coração batendo, do papo gostoso e sem nexo do final... etc. Mas também, o que eu queria? Aquilo era o tal do sexo casual! Alôoou?!
Acabei inventando uma desculpa para justificar minha despedida e fui embora pra casa. E hoje, estou apresentando o velho número do desaparecimento, para o caso dele me procurar.

Não tem jeito! Talvez eu seja a última romântica, mas com essa aprendi que realmente não consigo separar sexo de sentimento (embora eu até tenha dito aqui uma vez que havia conseguido! vocês acreditaram??).
E, a não ser que eu não consiga controlar o tesão de jeito nenhum, não pretendo fazer sexo casual tão cedo de novo. Pelo menos não enquanto eu pensar e gostar de outro homem.