Pra que usar de tanta educação pra destilar terceiras intenções?

Como prometido, caros leitores, aqui estou eu para contar das vezes em que me encontrei com João nesse mês de agosto, no curso. Mas antes, preciso reproduzir um pequeno diálogo que ocorreu dias antes da primeira aula, no msn:
Lily: - João, consegui entrar pro curso!
João: - Aleluia, hein! Em qual dia da semana?
Lily: - Sexta tb.
João: - Ih vai dar merda!
Lily: - Vai dar merda por quê? Cada um no seu quadrado, meu filho!
João: - Então tá! Então a gente vai ficar só acenando de longe, pra não dar confusão, ok?
Lily: - Ridículo, mas você é quem sabe.
A partir daí, João deu gargalhadas sem fim! E conforme eu me emputecia por não entender o motivo de tanta graça, as gargalhadas dele só se intensificavam. Ou seja, provavelmente ele tava era zoando com a minha cara, né? Mas ele que me aguardasse!
Bom, mas agora senta que lá vem a história:
No primeiro dia de curso, logo quando cheguei, dei de cara com ele! Ou melhor, de costas! Ele estava de costas pra mim, abraçando um amigo coroa dele (aliás, ele só anda com dois coroas! Nada de garotinhas em sua cola, para meu alívio!). Eu, então, não quis atrapalhar o momento boiolice e passei direto, sem que ele me visse.
Pirraça? Orgulho? Insegurança? Tudo isso aí! Só sei que, mesmo depois de 8 meses, quando o vi ali tão perto, meu coração disparou! Quase morri... E fiquei com raiva de mim por ainda gostar tanto dele.
Ao chegar em casa, mandei um e-mail provocativo, dizendo que tinha achado o tal amigo coroa um gato. Mentira, é lógico! O que eu quis foi dizer, em outras palavras: "Te vi e não falei contigo, baby!"
No dia seguinte, rolou papo no msn de novo e, do nada, ele me deu um baita esporro por não ter ido falar com ele! - Uéeee, mas não foi você que disse que a gente só ia acenar? - perguntei eu. Ele, puto da vida, disse que nem isso eu tinha feito e que era pra eu ser mais educada, na próxima vez.
Quando chegou a próxima vez, na semana seguinte, nós não tivemos aula e sim uma reuniãozinha rápida com as pessoas do curso. Ele já estava lá quando cheguei e, assim que me viu, veio falar comigo. E ao meu lado ficou até eu ir embora. Nesse meio tempo, várias pessoas pararam pra falar com ele, que respondia educadamente, mas depois "despachava" e voltava a ficar só comigo. Tal grude foi registrado numa foto que tiraram da gente, na qual eu saí com cara de pastel apaixonada!
Dias depois, estava eu na sala de aula do curso, quando tive uma crise de tosse absurda decorrente a uma baita gripe que peguei. Então, saí correndo pro banheiro. Lá ia eu pelo corredor, horrenda, com o cabelo todo bagunçado, uma cara de morta, os olhos cheios d'água e com o casaco na cara abafando a tosse, quando dei de cara com João (e com os coroas).
Ele, assustado, perguntou o que estava havendo. Expliquei tudo e ele, então, me abraçou e depois começou a pôr as mãos no meu pescoço pra verificar se eu estava com febre. E, segundo "dr." João, eu estava. Então, ele deixou os coroas irem e ficou lá comigo até eu dar uma melhoradinha. E, pra completar, ainda me encheu de recomendações do tipo: "bota o casaco!", "vai pra casa que você não tá bem!", "cuidado que tá ventando muito" etc.
Nesse meio tempo, ele acabou confessando até que estava sendo muito bom voltar a me ver.
Dei um sorriso singelo, ele me abraçou de novo e eu decidi ir pra casa.
Bom, repararam que não comentei de beijos nem nada, não é?
É porque realmente não rolaram. Estamos tímidos e educados demais. Além do fato de que eu estou muito na defensiva, é claro. Não consigo mais me jogar, simplesmente!
Porém, há momentos em que a gente pára, se olha, mas não temos o que dizer. Então, ele me abraça. Embora, nos velhos tempos, essa seria a hora do beijo.
Entretanto, isso não me importa. Acho que até é bom mesmo a gente ir com calma, se é que passaremos desse estágio "amiguinhos". De qualquer forma, foi bom revê-lo e receber esse carinho, tanto tempo depois.
Agora as perguntas que ficam são:
Conseguiremos quebrar o gelo? E se isso acontecer, será bom pra mim?
Oh vida que não presta mesmo...