sábado, 3 de março de 2007

Odisséia no Rio

"As coisas não precisam de você..."



Na mesma época em que conheci Lily, acabei conhecendo também Cléo, a melhor amiga da minha companheira aqui. E fiquei amiga dela, mais até do que de Lily, pois estudamos juntas durante muitos anos. Podem até não acreditar, devido à quantidade de histórias vividas, mas a relação entre as protagonistas deste blog é bem recente.
Numa noite de janeiro, resolvemos que já estava mais que na hora de reunirmos o trio para uma saída divertida e que acabou tornando-se, também, inesquecível. Cheguei na Cléo e passamos um bom tempo conversando, esperando César, seu noivo, chegar. Sim, Lily e eu sairíamos com um casal apaixonado naquela noite.
O projeto era ir a uma danceteria na Barra, onde estaria rolando a “Noite da Tequila”, mas Cléo preferiu o Leblon e eu e Lily pensamos: por que não? Vamos aproveitar a carona.
Já no carro, percebi que não preciso estar bêbada para falar merda (como se já não soubesse). Danei de dizer todas as barbaridades que eu e Lily conversamos no MSN, como, por exemplo, nossas fantasias e vidas sexuais (inativas) com nossos respectivos boys.

Mais calmas e depois de alguma procura, encontramos o tal lugar no Leblon e nem sei como expressar nossas caras de decepção quando o vimos. É que a intenção da noite não era ficarmos sentados, conversando! Queríamos nos esbaldar e não faríamos isso se permanecêssemos naquele recinto com cara de barzinho.
Então, é a partir desse ponto é que o nome ‘Odisséia’ ganha sentido. De início, começamos a procurar algum lugar legal nas imediações, mas, já que percebemos que os esforços estavam sendo em vão, tivemos a brilhante idéia de ligar a Zona Oeste à Zona Sul, quase como na música do Lulu Santos. Pegamos o túnel na Gávea, atravessamos a Rocinha e saímos na Barra para irmos a tal danceteria do início do texto!

Só que chegando lá... Bem... Mais uma decepção. O lugar tinha uma fila gigantesca e a opção mais perto se encontrava em situação igual, ou pior. Desanimados e com fome, tivemos outra brilhante idéia: vamos para a Noite do Flashback que rolava ali perto!
Pensei que bastavam as decepções anteriores, mas pensei errado. Quer dizer, pensamos! Como eu e Lily temíamos, quando adentramos na boate (ao som de "Born to be alive", diga-se de passagem), demos de cara com vários tios-de-meia-idade-cheios-de-dinheiro-à-procura-de-alguém-para-comer e de tias-quarentonas-solteironas-gordas-à-procura-de-alguém-para-comê-las. E, diante daquela visão do inferno da 3ª idade, como esconder meu decote e as pernas de Lily?
A música estava boa, mas o ambiente não. E se achávamos que pelo menos beberíamos para animar, ‘desachamos’ após consultarmos o preço absurdo da cerveja. Na maior cara de pau do mundo, pedimos ao segurança que nos deixasse sair. Deus, por alguns instantes, enfim, resolveu interceder por aquelas pobres almas sofredoras e fomos embora sem pagar.

Quando voltamos à estrada, nos deparamos novamente com o mesmo dilema: para onde ir? Já era tarde e entrar em uma boate a aquela altura seria uma missão impossível que nem o Tom Cruise resolveria. E não acredito que direi isso, mas sim, nós voltamos pra Zona Sul, já que as boas opções da Barra ultrapassavam nossos orçamentos.

Acabamos parando numa lanchonete, a qual já tínhamos passado mil vezes em frente, porque a fome era negra. E, antes disso, quando estávamos no Baixo Leblon, vimos o pessoal do Simple Plan. As duas retardadas (preciso dizer quem?) ficaram dando tchauzinhos frenéticos para o carro deles (detalhe: Lily mal sabia quem eles eram), que até sumiu entre os outros, sem ao menos conseguirmos um aceno de retribuição!
Enfim, àquela altura do campeonato só queríamos sentar e beber. Do Leblon, partimos para Ipanema. O César, coitado, morto de tanto dirigir e as três, idem. E terminando essa longa, muito longa aventura, paramos em um Pub. Disse que estava terminando? Mero engano.

Sentamos, começamos a beber (amém!) e, quando pensei que havia esgotado meu estoque de asneiras dentro do carro, percebi que basta o álcool entrar no sangue para elas virem à tona novamente. Só que dessa vez foi bem mais legal, porque o casal 20 se soltou (o César até mais do que a Cléo) e aderiu à idéia do “fale merda e seja feliz”. O nível da conversa diminuiu em uma razão inversamente proporcional às horas. Então, vocês imaginem as besteiras que nós proferimos com o passar da noite.
Em qualquer saída, rola a famosa ida ao toillete e esse momento é outro ponto crucial da narrativa. Fomos eu, Lily e Cléo e, enquanto a terceira estava ocupada, as outras duas esperaram do lado de fora. Nessa hora, eis que, não sei qual das duas, puxa o clássico dos 80’s: “você vai de carro pra escola e eu só vou a pé...”. Acho que, agora assim, ficou claro que o título do blog não é bem uma visão negativa da vida e sim uma homenagem a essa pérola do Léo Jaime. Após tamanho mico, fumamos narguilé com a galera da mesa ao lado e fomos embora.

Quando devíamos estar cansadas por tudo, já dentro do carro, as rainhas do brega se deparam com as luzes do Hotel Marina e do Morro do Vidigal e, inevitavelmente lembram de Marina Lima e sua música "Virgem" e constatam então, que, depois daquela noite divertidíssima, as coisas não precisam de "daniéis" ou "joãos". Portanto, quem disse que nós tínhamos que precisar? Sendo assim, voltamos para nossas casas, enquanto cantávamos clássicos do mau gosto musical e abusávamos mais um pouco da paciência do César.

Noites como essa nos provam que a Lei de Murphy existe sim, mas que pode ser abrandada se você estiver na companhia de pessoas que gosta e que te fazem rir.

4 comentários:

Lily disse...

ufaaa!

finalmente esse post saiu, hein, Bia?!

demorou, mas ele é necessário pq foi desse dia q o nome do nosso filho saiu! hehehe

e a lição de moral do final tb é importante! :D

bjsss

Velumíssima disse...

Menina, seu post tá um luxo!!! Mas eu naum posso fazer um peregrinação dessas pela noite naum... eu chamo muita atenção pra mim...Se eu estivesse junto com vcs, ninguém nem ia olhar pra vcs... Eu roubaria toda a cena! Tudo bem que vcs saum luxo e simpatia, mas só Veluma é LUXO só!

Venham me visitar e eu apresente umas amigas minhas pra vcs! Vai ser o melhor dia das vidas de vcs!

Bjinhos

Marina disse...

Olá! Bom, primeiramente, obrigada pelos elogios. Obrigada por passar lá e dedicar seu tempo a dar uma lidinha. É claro que você pode linkar, não há problema algum. Até agradeço.

Estou de olho no que vocês escrevem aqui, escrever é sempre bom, ainda mais numa época em que só se valoriza a imagem, né?

Beijinhos!

Paul Newman disse...

só digo uma coisa: coisas da vida.